quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Margem de erro - devaneios de uma mãe que erra



A tolerância ao erro é uma ideia que está me rondando. Em duas palestras sobre inovação&criatividade (uma com a Bel Pesce e outra com a Martha Gabriel) essa ideia foi ventilada e soprou no meu coração associá-la à educação do Rafael.

Sinto uma mudança que começa a se delinear no horizonte dos meus paradigmas... que me leva a refletir sobre a importância de não punir as tentativas que fracassaram, pois são as lições que aprendemos com os tropeços que nos conduzem ao caminho do êxito. É preciso, portanto, de um ambiente (seja corporativo, seja familiar) onde há espaço para tentativas, no qual os erros irão surgir e não serão punidos. E também virão os acertos e, mais importante ainda, a inovação.

Toda criança é essencialmente inovadora. Basta um momentinho perto e percebemos a capacidade infantil de admirar-se com o que nem percebemos, de fazer graça com a banalidade, de brincar sem a ditadura dos compromissos, de renovar a vida.

Olho para o Rafael e me pergunto o tempo todo qual o melhor caminho, e no fundo quero encontrar um em que eu possa seguir sem errar. Cabe aqui a lição de tolerar também os meus erros, sabendo que são como degraus para a pessoa melhor que estou me tornando.

Perguntando a mim mesma, o que eu quero que o Rafael "aprenda", percebo que o quero feliz; quero que ele saiba e sinta que nós o amamos e que Deus também o ama. Quero que ele descubra o seu caminho no mundo e se entregue a isso como a uma missão.

Só consigo imaginar que o caminho que leva a isso pressupõe diálogo, muita autonomia, respeito à individualidade dele e, tolerância ao erro e, com certeza tem mais coisas que vou ter que aprender ainda.

E essa postura exige um novo olhar, também questionador, também dialógico, também respeitoso, também tolerante ao erro. Afinal de contas, o que tem de tão ruim em riscar as paredes, ou deixar que ele use copos de vidro, mesmo que alguns se quebrem. As consequências reais dos erros virão nos ensinar, de qualquer forma. Não é preciso repreender tanto, sob o risco de sufocar a criatividade pelo medo da censura e, por fim, sufocar a própria pessoa num emaranhado de regras e proibições. Os cacos no chão já ensinam que vidros são frágeis e devem ser manuseados com cuidado. A bucha e o sabão já ensinam que é custoso limpar a parede. Fica a lição, fica a experiência alcançada com o erro. Sobre isso, leia essa reflexão aqui.

Entre o limiar da obrigação de educar e o desapego de certas convenções, está a via que quero perseguir pois é nesse espaço sutil entre a tentativa e o erro (e suas consequências inevitáveis) que surge um caminho inovador também na educação.

Em sua palestra, Martha Gabriel ressaltou que a inovação surge a partir da integração de três elementos: pensamento crítico, criatividade, conexões humanas e tecnológicas. Se antes, o ambiente que conectava pessoas era a escola, hoje é a rede (que cresce em escala exponencial).

Não por acaso, em nosso tempo surgem ideias como a desescolarização. Sobre isso assista esse vídeo aqui e aqui. Para mim, essa ideia é inexplicavelmente chocante. Mas desperta em mim uma série de reflexões e insights. E se for por aí? Por que, afinal de contas, tantos estudantes odeiam a escola? Por que estão dizendo que a escola mata a criatividade, como nesse vídeo aqui?

Talvez seja a hora de olharmos para nossos filhos e devolvermos a pergunta. Talvez a escola também precise perguntar. Talvez todos nós que somos educadores, pais ou professores tenhamos que assumir que, no fundo, não somos educadores, mas aprendizes. Descendo do púlpito, poderemos nos juntar todos no caminho da descoberta.

Daí a importância do espaço para o erro, os nossos e os dos outros, porque não dá tempo de errar o suficiente apenas em uma vida. Um exemplo disso é o livro da Bel Pesce em que ela relata as lições que ela aprendeu com os próprios erros e com os erros dos outros no Vale do Silício. Leia aqui.

Finalizo este longo devaneio com uma frase de Sir Ken Robinson: "Se você não está preparado para estar errado, você nunca fará algo original."

PS: A linda ilustração desse post foi retirada daqui: http://www.jyliangustlin.com/newart09.html

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