terça-feira, 12 de agosto de 2014

Livros para mães - A Maternidade e o Encontro com a própria Sombra, de Laura Gutman

É uma barriga!
 
Há um tempo estou planejando escrever sobre 2 livros que lançaram luz sobre inúmeros questionamentos e contradições que vivi no puerpério:  A Maternidade e o Encontro com a própria Sombra, de Laura Gutman e A Máscara da Maternidade, de Susan Maushart.

Li-os em momentos diferentes de maturidade materna. E cada um a seu modo me ajudou a perceber a maternidade que eu vivia e a refletir sobre ela. Ou o que muda com a chegada de um filho (em especial, do primeiro filho). Embora enumerar itens seja reduzir bastante a experiência avassaladora da chegada do 1º bebê.

Para começar, falarei sobre A Maternidade e o Encontro com a própria Sombra, de Laura Gutman. A maioria das mães blogueiras já leu ou, no mínimo, já ouviu falar sobre a psicoterapeuta familiar, Laura Gutman, e o seu famoso livro.


Eu o li há pouco tempo, ou seja, depois do puerpério e talvez por isso ele não tenha sido tão separador de águas para mim. Mas serviu para consolidar certas impressões que eu tinha sobre a maternidade e para conhecer esse conceito de sombra.

Laura Gutman expõe questões como depressão pós parto, gestação, parto, amamentação, dificuldades com o sono do bebê, função do pai, dentre outras, sob a perspectiva de que a criança (ser fusionado com a mãe) manifesta em seu corpo as angústias veladas da mãe e propõe soluções que passam, inevitavelmente pelo encontro com a própria sombra. É uma proposta bem interessante com conceitos da psicologia e da própria experiência de Gutman.

Ela defende a tese de que o bebê recém-nascido está em fusão com a mãe e, por isso, manifesta em si a sombra da mãe. Essa ideia me pareceu muito surpreendente e revolucionária, e também, em alguma medida, verdadeira. Em suas palavras, "o bebê sente como próprio tudo o que sua mãe sente, sobretudo o que ela não consegue reconhecer, aquilo que não reside em sua consciência, o que relegou à sombra."

Ela afirma que "Muitos aspectos ocultos de nossa psique feminina são desvelados e ativados com a chegada dos filhos." E isso é um fato que não é difícil de reconhecer. Assim, ela mostra que a maternidade, por sua força arrebatadora, abre um caminho em que "as dificuldades são possibilidades de crescimento." e identifica o puerpério como uma abertura de espírito.

Em outro trecho, ela afirma que "As mulheres puérperas têm a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional." Para mim, essas palavras sintetizam bem tudo que vivi nos primeiros meses como mãe. E por serem tão verdadeiras, me sensibilizam, falam ao meu coração.

É um livro de acalento para mães cheias de culpas e medos (ou seja, todas). Além de trazer exemplos de situações reais que ajudam a ilustrar os conceitos que apresenta.

Para finalizar, registro uma frase consoladora para aquelas mães que se sentem atoladas pela culpa por não se enquadrarem nas regras dos manuais: "Existem milhões de maneiras ótimas de criar os bebês, tantas quanto há mães no mundo, desde que as adotem com total sinceridade em relação a elas próprias."

Sem dúvida, é um livro que vale muito a pena ser lido.

No próximo post falarei sobre A Máscara da Maternidade, de Susan Maushart.


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