quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Birra ou emoção?



Nunca deixo de me surpreender com a capacidade de compreensão do Rafael. Eu contei neste post aqui que ele sempre diz que não quer ir para a escola. Bom, ele já não diz mais isso. Ele pede para que eu fique com ele na escola e gruda nas minhas pernas e chora quando o deixo lá.

Quando isso acontece, percebo que essa situação desperta uma forte emoção ou comoção no pequeno (e em mim também) e me pergunto que atitude devo tomar para ajudá-lo. Se por um lado, eu preferia que ele não "sofresse" (o que faz com que eu questione todos os dias a minha decisão de iniciar a escolarização do Rafael tão cedo), por outro é também uma oportunidade para ensiná-lo a lidar com esses sentimentos sem negar ou reprimir o que ele sente.

Aí, um dia desses, segurei ele no colo, o abracei com firmeza e disse a ele que era normal sentir um pouco de saudade da mamãe e que não havia problema nenhum em ficar um pouco triste por isso, mas que ele tinha de ficar na escola e que depois a mamãe voltaria... E ele parou de chorar, desceu do meu colo e entrou na sala sem drama.

Fiquei parada alguns segundos até acreditar no que acontecera e me dar conta que bastou reconhecer e valorizar o sentimento real que ele estava sentindo para que o efeito visível do sentimento (choro e tristeza) se esvanecesse e o menino seguisse tranquilo para a sala. É ou não é de se surpreender?

Por mais que eu nunca tenha subestimado a capacidade de compreensão do Rafael, que eu nunca tenha aceitado a ideia de que "crianças não entendem", eu me surpreendo com situações como essa, em que o Rafael demonstra tamanha maturidade. Afinal, a habilidade de lidar com as próprias emoções é coisa rara até mesmo entre adultos, não é mesmo?

Saí da escola com o coração leve e a mente cheia de reflexões ao perceber, por meio desse fato, que muitas vezes, quando nossas emoções afloram, (nos adultos também) só precisamos que as pessoas que amamos (e que nos amam) se esforcem por compreender esses sentimentos sem esperar que eles sejam racionais e sem nos julgar. E que assim nos ajudem a "entrar na sala sem drama".

Isso não significa que ele sempre vai lidar bem com as próprias emoções ou que não volte a chorar ou fazer aquela carinha de cachorro que caiu do caminhão de mudança quando eu o deixar na escola. Afinal, os desafios na criação de filhos surgem diariamente com aumento crescente no grau de dificuldade. Mas me ajudou a perceber a importância de respeitar os sentimentos dele e que, muitas vezes, só isso será suficiente.


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