segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mãe de três: 2 no céu e 1 na Terra | Como tive o 2º aborto

Tudo aconteceu ontem e ainda não chorei. Quase um ano depois do primeiro aborto, eu engravidei outra vez. E, como da última vez, nem parecia real, nem parecia possível após mais de 6 meses sem ovular. Mas eu acreditei. (com a ajuda de dois testes de farmácia positivo e um BHCG de 1400).
Dessa vez, não foi como das últimas. Não houve alarde. Por decisão minha, ninguém soube da gravidez. Só eu, o Nego e o Rafael.
Eu esperava a amiga lá pelo dia 9/junho. Não veio. Tudo bem, essas coisas atrasam. Mas quando chegou a uns 10 dias de atraso já era de mais. Fiz os testes. Estava grávida.
Eu queria contar para todo mundo, mas resolvi esperar e ouvir o coraçãozinho primeiro, no ultrassom, que nem cheguei a ir. Eu precisava ouvir as batidas para compartilhar essa vida. Não queria ter que desdizer, como na última vez. Mas eu não achava que fosse precisar disso. Eu não achava que fosse perder um filho pela 2ª vez.
Mas no sábado (dia 21/junho) eu percebi uma borrinha na calcinha e umas cólicas um pouco mais chatas do que o normal. “Isso não é bom”, pensei. E no domingo de manhã já era sangue mesmo. Nenhuma hemorragia, mas era preocupante. Liguei para minha GO e ela recomendou tomar ultrogestan e repouso. Fiquei de molho por todo o domingo com sangramento e cólicas chatas. No começo da noite, a dor começou a ficar mais intensa, quase insuportável. Pedi ao Nego que comprasse Buscopan e antes que ele chegasse, as dores já estavam insuportáveis, estava suando frio, com ânsia de vômito e dedos formigando.
Havia revelado há pouco para uma amiga-irmã o que estava acontecendo e foi ela, um anjinho nesta noite, que ficou com o Rafael para irmos ao hospital. A essa altura, eu já sentia dores terríveis no abdômen. Parecia com as dores do outro aborto. Acho que o bebê já estava voltando para o céu nesta hora. O fluxo aumentou bastante e cheguei ao hospital uivando de dor. Implorei por um remédio para dor e me aplicaram Buscopan na veia. Pareceu não resolver nada, mas uns 20 min depois, começou a aliviar e eu já podia agir como alguém civilizada. Tive um pouco de vergonha pelo meu descompasso anterior, mas dane-se. Eu estava muito mal mesmo.
Então, logo fiz a ecografia e a médica disse que se estava grávida, já não havia mais nada ali. Tudo estava normal, mas o útero estava vazio. Vazio. Meu coração se esvaziou um pouco também. Cheguei a duvidar da existência desse bebê. Como podia não estar lá!? Será que eu estive grávida mesmo!? Foi tão rápido. E não ouvi o coração bater de novo. Mas o exame de sangue tinha dado positivo...
Eu não estava, exatamente, tentando engravidar, mas não evitar é também uma forma de tentar. E, sobretudo, eu quis essa criança. Eu a amei.
E, como quase ninguém sabia, eu realmente não preciso desdizer nada. Não preciso dizer a cada esquina que eu perdi mais um bebê. Mas tenho urgência em dizer, em registrar que tenho mais um neném-anjo no céu. Agora, todos precisam saber. É uma forma de ainda tê-lo, de não deixar essa curta vidinha se apagar. Porque ela foi importante para mim. Porque fez parte dos meus sonhos e dos meus planos para toda uma vida. Porque eu a aceitei como um presente de Deus. Porque ela faz do Rafael um irmão mais velho, assim como o outro. E, sobretudo, porque ela vai sempre existir no meu coração.

4 comentários:

  1. Que homenagem linda Jaque,que Deus possa Abençoa esse anjinho e a você e sua Família,mas com certeza Deus vai preparar tudo na hora certa!

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  2. Jaque, oro para que seu próximo filho ou filha seja uma benção e para que você não passe por isso novamente.
    Que Deus te abençoe, filha querida.
    Beijos do seu pai, que sempre te amará.

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  3. Obrigada pela força a todos que passaram por aqui.

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