quinta-feira, 26 de junho de 2014

A vida: uma jornada rumo ao descontrole ou à fé

 


Na terça, tive o meu dia de luto. Perguntei mil por quês?! Fiquei em silêncio. Senti-me culpada, castigada. Chorei. Olhei para o Rafael e o amei ainda mais por ter nascido, por ser o meu filho vivo. Ele vomitou de madrugada e teve febre nesse dia... (Será que ele manifestou fisicamente o sofrimento que estava calado em mim?) Levei ele ao hospital e, por mais estranho que possa parecer, me diverti com ele. Curti estar ali com ele.

Ainda me sinto triste, mas agora já posso seguir em frente. Já posso continuar a jornada da vida, em especial, da maternidade. Que no meu caso inclui 1 filho vivo e dois abortos. Contei sobre eles aqui e aqui.

Eu sempre me senti desesperada em situações sobre as quais eu não tenho o controle. Essas situações sempre me paralisam. Mas os três filhos, cada um a seu jeito, tem me ensinado o quanto viver sem controle pode ser enriquecedor, transformador e salvador. Ter filhos (ou não ter, em alguns casos) é uma profunda experiência de descontrole. Não tive um parto normal, mas imagino que essa experiência faça a mulher perceber isso de forma mais imediata. Como tive cesárea, demorei um pouco mais para chegar a essa epifania.

Com o Rafael bebê, percebi logo nos primeiros meses que não tinha o controle.  Não havia um padrão de sono e de vigília, de fome e de saciedade, de calma e agitação. Todo dia era diferente. O único padrão era não ter absolutamente padrão nenhum. Quando o dia começava, não era possível prever os desafios daquele dia. Tudo era novidade. Às vezes, eu conseguia até sentar e ler, mas na grande maioria dos dias, eu mal conseguia ir ao banheiro. Era desesperador. Quanto mais eu tentava controlar as inúmeras variáveis da rotina de um recém-nascido e de uma recém-mãe, mais eu entrava em desespero com a absoluta incapacidade de alcançar o tão "seguro" controle.

Só quando comecei a aceitar não ter o controle, foi possível começar a relaxar. O que, em outras palavras, quer dizer confiar, ter fé (em Deus). E vieram os abortos. Duas experiências fortes de não ter controle. Vi os meus medos na minha frente, mas não quis controlá-los. Aceitei sentí-los. Não lutei contra as dores que me causavam. Permití-me não poder controlá-las. Permiti-me sentir a vida até quando é dor.

Essa é uma jornada interminável para mim. Nunca estarei completamente pronta. Sempre estarei a construir-me, num eterno vir a ser... e essa jornada iniciada em mim pela maternidade é o que tem me transformado em uma pessoa melhor.

Sinto-me mais forte hoje e mais fraca também. Mas forte por conhecer melhor as minhas fraquezas. Mais fraca por saber que elas existem. Mais forte pelo grande apoio dos amigos e da família. Mais fraca pela indiferença de alguns. Mais forte pela oração secreta de quem rezou por mim sem que eu soubesse. Mais forte pela parceria do Nego. Mais forte porque posso ser feliz até nas tempestades. Mais forte!

Obrigada a todos!

2 comentários:

  1. Jaque, desejo toda a felicidade possível para vc, que Deus te proteja sempre e que de tudo certo na sua vida e que todos os seus sonhos se realizem!!!

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...