quarta-feira, 28 de maio de 2014

Hoje é o dia Mundial do Brincar

Você sabe o que é isso?
É um carro de corrida!!!


Hoje é o dia Mundial do Brincar, que faz parte da Semana Mundial do Brincar que começou no dia 25 de maio e vai até o dia 31 de maio, promovida pela Aliança pela Infância. É a 4ª edição do evento que traz diversas atividades voltadas para as crianças, mas também para os pais, educadores e quem mais tiver interesse. Confira a programação aqui. 

A Aliança pela Infância é um movimento mundial, uma rede que atua facilitando a reflexão e a ação das pessoas que se preocupam com a infância. Assim, eles promovem o brincar como:

·        Atividade essencial com fim em si mesma

·        Instrumento de expressão e desenvolvimento da criança

·        Resgate cultural das brincadeiras de rua e vivências lúdicas

·        Fonte de aprendizado, transmissão de saberes e de educação para todos

·        Expressão cultural que promove encontros entre membros de gerações diferentes

·        Criador de vínculos sociais e de comunicação

·        Lazer e fonte de prazer

Eu sei que parece estranho existir uma semana e até um dia para promover o Brincar, afinal, todo dia é (ou deveria ser) dia de brincar, mas num mundo cada vez mais adulto ou senil, o que é isso mesmo de brincar? Como é que se faz isso? 

Foi a partir da inquietação provocada por esta semana do Brincar que comecei a tentar lembrar como é que eu brincava quando era criança? O que eu pensava ou sentia? Lembro de algumas coisas e tenho cicatrizes nos dois joelhos e no calcanhar que comprovam a peraltice de brincadeiras como queimada, todos os pics da vida, elástico, andar de bicicleta, patins, soltar pipa e tantas outras. (eu não tenho vergonha das cicatrizes, ao contrário, mostro pra todo mundo e conto a história de cada uma delas, mas isso é assunto para outro post) Disso, eu consigo me lembrar, mas não me lembro mais o que me motivava ou o que motiva uma criança a brincar o tempo todo, a transformar tudo em brincadeira. Basta um dia com o pequeno para perceber que não tenho essa energia e inventividade, que nós adultos não temos essa energia de criança, ou melhor, da criança que tenho em casa, o pequeno Rafael. (Nem meu esposo, que é uma ‘criança’ também, consegue acompanhar o pequeno)

E foi justamente observando o pequeno que comecei a me lembrar da criança que fui um dia. E, com as lembranças, uma constatação: essa habilidade infantil que faz com que os mais simples atos do cotidiano como trocar de roupa se transforme em pic-e-pega; que a hora do almoço seja um show de batuques com as colheres; que bilocas sejam sol e planetas (incluindo a Terra, é claro); que a Lua seja de algodão; que pedrinhas no chão podem ser sementes; que tampas de panelas são pratos de bateria; que podemos brincar de barriga e ser amigos de testa; ficou esquecida na criança que já fui um dia...

Ao contrário, fico presa ao relógio e às obrigações. Quero que ele pare para vestir a roupa e se apresse para escovar os dentes. Mas de uns tempos pra cá, eu tenho revisto tantas das minhas posturas e fortalecido tantas outras em que já acreditava graças a iniciativas como essa que transmitem muita informação e uma nova forma de olhar para a infância. 

Eu sei que muitas vezes temos que cumprir o horário e também impor limites, mas não se trata de deixar tudo correr solto e sim de mudança de olhar. Meu esposo, a quem admiro em muitas coisas, sempre me disse: “Porque dizer não, somente pelo não, somente para impor a vontade e infundir autoritarismo?” Isso me faz lembrar o rei que não tolerava indisciplina, do Pequeno Príncipe, com sua célebre frase: “É preciso exigir de cada um, o que cada um pode dar(...). A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”. 

Então, sempre me questiono se minhas ordens são razoáveis. Será, que em alguma medida, não estou pedindo (ou exigindo) que meu pequeno não seja criança e não haja como tal. Eu me pergunto: por que não quero que o Rafael não faça determinada coisa? Para não me atrapalhar, para ser mais conveniente para mim? E, por que impor o meu stress adulto ao pequeno, que está experimentando pela 1ª vez essa baita aventura de viver, e assim, me ajuda a lembrar da criança que fui: também curiosa, às vezes impertinente e malcriada, ávida pela vida e capaz de brincar genuinamente e de criar, quem sabe, um mundo novo. 

Nem é preciso muita complexidade para isso, no fundo, brincar é coisa mais simples que existe. Veja essas ideias para começar. Mas cada um vai ver que o melhor mesmo é deixar-se conduzir neste mundo do Brincar, do qual somos tão distantes, pelas nossas crianças. Elas são expert nisso e o fazem naturalmente. E mais que isso, o fazem por absoluta necessidade de desenvolver-se, pois é brincando que alcançam as ferramentas e os meios necessários para transformarem-se em humanos completos. Mais sobre isso nest post aqui, do Gabriel Salomão, do Lar Montessori. (vale muito a pena ler) 

Para terminar o post, deixo a frase de Friedrich Schiller, poeta romântico alemão: “o ser humano somente é humano por completo quando brinca e, somente brinca quando é humano por completo”. (peguei essa frase desse documento aqui)

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