sábado, 26 de abril de 2014

Mãe de dois: um no céu e um na Terra

Desde que meu casei, (há quase 5 anos. gente como o tempo voa!) eu nunca, nunquinha usei anticoncepcional, mas acompanho sempre a ovulação. Tenho ovário policístico e nem sempre ovulo. (Demorei 1 ano e meio para engravidar do primogênito) Pois bem, a história é que eu estava há mais de 6 meses sem ovular, quando fui fazer uns exames de rotina e descobri que estava grávida (oi?!).
É bem verdade que minha cunhada tinha sonhado, que eu estava numa sonolência eterna, com gases, azia e um mau humor bem estranhos, mas grávida! peraê minha gente, não era pra tanto! Tem certeza doutor? Claro que sim, olha o saco gestacional lá. Sensação de dormência se apoderou de mim até a alma e fiquei feliz, muito feliz (e assustada). Liguei pro marido, que ficou assustado e feliz!
Uma vidinha já estava se formando dentro de mim há 5 semanas! Era tão minúscula ainda, mas fez renascer em mim uma energia vital que não sei explicar. Sim, eu posso gerar uma vida. Sim, essa vida também gerou em mim uma nova vida e cedeu-me uma energia e uma vontade de viver em essência, de não perder tempo, de não me frustrar diante das derrotas, de buscar ser melhor, de lutar por sonhos que já havia esquecido, de sempre seguir em frente, de ter mais fé, de ser mais feliz ainda. Esse anjinho acendeu em mim uma luzinha que tinha se apagado e encheu meu coração de esperança por todas as coisas que eu poderia fazer por ele e pelo irmão mais velho.
Será que vamos ter condições, com certeza ficará apertado financeiramente e fisicamente (apartamento pequeno. um dia quero uma casa!), será que vou amá-lo tanto quanto amo o Rafael, será que vou conseguir ser mãe de dois (complicações logísticas ao quadrado); adeus férias de março (quando nasceria o rebento). E assim meus pensamentos iam longe em divagações, tentando prever ou controlar tudo, mesmo já tendo aprendido com o primogênito que a maternidade é perder totalmente o controle, é entregar-se e descobrir que a ordem escorrega pela mão descontroladamente, mas se rearranja outra vez. Que não há rotina em ser mãe e por isso mesmo é tão mágico, tão sublime, tão especial gerar uma nova vida e educar ou deixar-se educar por um serzinho que carrega um universo em si. Sempre que vejo uma mulher grávida, faço uma oração pela vida ali dentro e pela esperança que representa, e pela mãe também porque os desafios serão muitos.
Foram duas semanas com borboletas na barriga, com sonhos para toda uma vida, com aquele ar celestial de quem celebra e vive o milagre todos os dias em si mesmo. E, apesar de todos os medos, eu me rendia a este dom de Deus com alegria e muita paz no coração. Mas aí, duas semanas depois fui fazer outra ecografia e ele já não estava mais lá. Ele estava, mas a vida não. Por alguma razão, o anjinho tinha batido suas asas e voltado para o céu, de onde tinha saído há tão pouco tempo. O diagnóstico era trofoblasto hipertrofiado. E não havia batimentos cardíacos. Por má formação, o embrião não tinha se desenvolvido. Chorei. Ele ficou tão pouco e nessas duas semanas me fez tão feliz, tão especial. Avisei o marido. Não podia acreditar. Parecia uma pegadinha. Um carrossel de emoções em duas semanas e agora ele já tinha ido.
Eu não senti dor alguma e não tive qualquer sangramento. Conversei com a GO e ela disse que eu poderia esperar uma semana e se o organismo não abortasse naturalmente, eu deveria ir ao hospital fazer a curetagem. Quis fazer outra ecografia para confirmar e, novamente, o mesmo diagnóstico. Então, fiz a curetagem. Foi a pior experiência da minha vida. Tudo cinza. Ninguém me atendeu bem e sofri horrores depois que eles me aplicaram o remédio abortivo. Achei que seria rápido, mas não foi. Fiquei internada e tudo que eu queria era ir embora logo para a minha casa, para o meu filho.
Por mais triste que tenha sido, sempre penso nesse meu anjinho com alegria por tanta alegria que ele trouxe ao meu coração, pela minha vida que se renovou e por tantas coisas boas que senti. Não penso no que não foi, mas no que foi. Por isso, de todas as coisas que ouvi dos amigos e parentes, teve uma coisa que pareceu Deus falando comigo: ele cumpriu a missão para o qual Deus o havia planejado. E a missão dele era renovar a minha vida.
Mãe de dois: um no céu e um na Terra.

2 comentários:

  1. Chorando aqui Jaque!!
    Passei por isso também! Tive 1 aborto retido e outro beta que não evoluiu, mas meu organismo abortou meu bebezinho!
    Eu sou mãe de 2 estrelinhas no céu e agora meu positivo do coração já está comigo e evolui na Vara de Infância e Juventude!!
    Muito feliz que essas experiências me fizeram uma pessoa melhor, não passamos por nada nessa vida sem motivo!!
    Que Deus te ilumine!!
    Bj bj
    Pri Aitelli

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    Respostas
    1. Oi Pri,
      É triste, mas nos fortalece também, né!? Eu admiro muito as pessoas que decidem pela adoção. Acho muito corajoso e libertador. Desejo toda a felicidade do mundo nessa nova fase. Que Deus te abençoe e fortaleça nos desafios e riquezas impagáveis que só a maternidade nos proporciona.
      Bjos,
      Jaque

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