sexta-feira, 18 de abril de 2014

Eu não sei educar

Não sou militante de nada, mas existem alguns princípios que tem norteado as decisões que tomo em relação a educação do Rafael. Um deles e o mais forte tem a ver com NÃO agredir o meu filho de forma alguma (nem física e muito menos verbalmente).
Isso não quer dizer que eu nunca tenha dado uma palmadinha na mão dele ou gritado. (Sou humana, minha gente, e como qualquer um perco a paciência). Mas foram poucas vezes, pouquíssimas mesmo e me arrependo e até me envergonho. Isso só serviu para me convencer de que não quero educar meu filho assim, porque no fim das contas isso não é educar, está mais perto de adestrar ou cercear, ou qualquer outra coisa. Educar é um ato de amor e como tal exige muita, mas muita, mas muita paciência.
Aliás, se chego a esse ponto por falta de paciência é mais um motivo para não acreditar nisso como educação. Parece mais uma vingança de um superior (adulto) contra um inferior e indefeso(criança) que lhe causou chateação ou contrariou. E, é ainda mais grave porque este adulto é justamente de quem a criança espera proteção e amor.
No meu coração, não fazia sentido que eu batesse para ensinar a não bater, mordesse para ensinar a não morder e por aí vai... O mesmo vale para a agressão verbal e para a falta de compreensão das necessidades emocionais do pequeno. Se ele faz birra e tem uma crise de choro, eu quero mais que tudo nessa vida entender do que ele realmente precisa. Será que lhe falta atenção ou carinho? Eu investigo o meu filho e tento ajudá-lo a entender o que sente para que ele possa me dizer e possamos lidar juntos com isso. É preciso nomear os sentimentos e as dores para que fique mais fácil vencê-las ou suportá-las. Se, para nós adultos, tantas vezes é difícil compreender o que sentimos, o quão mais complicado deve ser para essas pessoinhas em formação, que ainda não se comunicam bem e que estão passando pelas primeiras experiências de frustração, ciúmes, saudades, e tantas outras fortes emoções (aguenta coração infantil).
Mesmo antes de ter o pequeno, sempre refleti no modo como gostaria de educar os meus "futuros" filhos. Eu não tinha lido teorias ou participado de grupos de discussão. Eu só tinha uma grande convicção de não querer bater nos meus filhos.
E por isso, esse é o princípio fundamental: eu não bato no meu filho. Os demais decorrem deste. Mas a nossa sociedade, de uma forma geral, educa assim. E quem não dá uma palmadinha no filho (ou palmadona, a depender do "mal feito"), está sujeito a sofrer reprimenda geral com narinas bufantes de reprovação. (tisc, tisc!!! que mãe mais desleixada que não educa o filho).
Bom, se tiramos a palmada e os gritos, surge um problema imediato: como educar, então?
Eu nunca sei como educar. A partir da NÃO agressão e do amor que sinto por ele, vou descobrindo o caminho exatamente no momento em que o trilho e a partir dos desafios que surgem. Estou sempre em dúvida se estou fazendo o melhor por ele, se estou considerando as suas particularidades, se estou "lendo" corretamente os seus segredos. Por isso, a minha experiência com a maternidade é um constante vir a ser mais paciente para me doar cada vez mais, para servir e amar mais.
Até aqui, acho que está funcionando bem, acho que temos acertado mais que errado. Gosto que o Rafael já saiba dizer quando está triste e porque está triste, ao invés de fazer birra por isso (pelo menos na maior parte das vezes. Ele também é humaninho, gente!!!). Mas acho que errei ao ter iniciado a retirada da fralda muito cedo e ter colocado ele na escolinha esse ano (assunto para outros posts). E quem pode imaginar os erros que não percebo!? São os pesares do filho mais velho: ele inaugura tudo e por isso mesmo também tem sobre os seus ombros a imaturidade dos pais.
E, para "nossa alegria", tenho lido muita coisa aqui na blogosfera materna sobre educação que casa quase certinho com este "meu princípio": criação com apego, disciplina positiva, Montessori e muitos outros. Tento adaptar ao que sinto no coração e vamos indo para a luta diária!
Tenho preferido ir pelo caminho da educação positiva.
Desabafo: esse jeito de maternar exige muito jogo de cintura e flexibilidade além de pesquisa e reflexão constante. Não é, em absoluto, ausência de disciplina ou liberalismo. Pelo contrário, sinto que sou bastante rigorosa e conservadora ao educar o pequeno, mas sem violência e, principalmente, tentando entender o meu filho como uma pessoa que merece ser respeitado em suas especificidades.
E não faço isso por parecer bonito ou feio ou moderno ou nada disso, e nem tenho certeza se é o melhor, mas é para onde o meu coração tem me guiado.
Nesse caminho, algumas leituras que tem me inspirado:
http://www.revistapaisefilhos.com.br/nossa-crianca/a-lingua-secreta-das-crianças

http://www.paisefilhos.pt/index.php/familia/pais-a-maes/6891?showall=1&fb_action_ids=482687431842066&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582

http://larmontessori.com/2013/01/30/o-caminho-dos-pais-pacificos/    

http://larmontessori.com/category/castigos/

http://conexaopaisefilhos.com/2014/04/01/adultos-autonomos-criancas-autonomas-um-causo/

http://mulher.terra.com.br/vida-de-mae/pesquisa-4-de-10-bebes-nao-criam-vinculos-afetivos-com-pais,a7f826af58c35410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

http://www.attachmentparenting.org/portuguese

2 comentários:

  1. Uau!!!! vergonha master nesse momento... :'(
    Gostaria mesmo, e me esforçarei ao máximo para conseguir utilizar esses métodos que fazem todo sentido! Na verdade nem parece uma receita, e sim uma lógica muitas vezes ignorada (inclusive por mim)... Gosto muito de ser ouvida quando algo não vai bem, e aposto que meu filho prefere ser ouvido do que julgado ou condenado quando sua resposta em relação a algo imposto por mim não é o que eu espero. É um direito deles serem ouvidos. No entanto, nem sempre os pequenos conseguem entender o que estão sentido, menos ainda explicar... Nesse momento, cabe a nós educadores ajuda-los a entenderem e explicarem suas emoções...
    Engraçado. Parece que sei algo a respeito... Falta arregaçar as mangas para fazer algo diferente pelo ser que mais amo nesse mundo!!! Ele merece no mínimo meu esforço!

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    1. Eu acredito muito nisso por mais difícil que seja praticar. Mas a busca por esse ideal tem me ajudado a ser uma mãe melhor e consequentemente uma pessoa melhor. Eu tenho visto a maternidade como o mais profícuo processo de amadurecimento como pessoa.

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